Entender o sujeito é fundamental para escrever com clareza e fazer a concordância verbal correta. Neste guia, você vai aprender o que é sujeito, quais são seus tipos, como identificá-lo em diferentes contextos e evitar os erros mais comuns. Há ainda exemplos práticos e exercícios com gabarito.
O que é o sujeito?
- Definição: É o termo essencial da oração sobre o qual se declara algo. Em regra, concorda com o verbo em número e pessoa.
- Pergunta-chave: Quem é que realiza a ação ou de quem se afirma algo? (pergunte ao verbo “quem?” ou “o que?”)
- Núcleo do sujeito: Palavra principal do sujeito, geralmente um substantivo ou pronome. A concordância verbal se faz com o núcleo.
Exemplos:
- A professora explicou o conteúdo. (sujeito: A professora; núcleo: professora)
- Eles viajam amanhã. (sujeito: Eles; núcleo: Eles)
Tipos de sujeito
Sujeito simples
- Possui um único núcleo.
- Ex.: O sol apareceu. (núcleo: sol)
Sujeito composto
- Possui dois ou mais núcleos.
- Ex.: Ana e Bruno chegaram cedo. (núcleos: Ana, Bruno)
- Concordância: Verbo no plural. Se os núcleos vierem ligados por “ou” com sentido de exclusão, o verbo vai ao singular. Ex.: Pedro ou Carla resolverá.
Sujeito oculto (elíptico)
- Não está expresso, mas é recuperável pelo contexto e pela desinência verbal.
- Ex.: Chegamos tarde. (sujeito: nós, oculto)
Sujeito indeterminado
- Não se quer ou não se pode identificar quem pratica a ação.
- Formas:
- Verbo na 3ª pessoa do plural sem referente explícito: Disseram que vai chover.
- Verbo na 3ª pessoa do singular + se (índice de indeterminação do sujeito) com verbo intransitivo, transitivo indireto ou de ligação: Precisa-se de voluntários; vive-se bem aqui.
Sujeito oracional
- O sujeito é uma oração subordinada substantiva.
- Ex.: É importante que você estude. (sujeito: que você estude)
Oração sem sujeito (sujeito inexistente)
- Verbos impessoais ou fenômenos que não admitem sujeito. O verbo fica na 3ª pessoa do singular.
Casos mais frequentes:
-
- Haver no sentido de existir/acontecer: Há muitos alunos na sala. / Houve problemas.
- Fazer indicando tempo decorrido ou clima: Faz dois anos que moro aqui. / Faz frio.
- Ser indicando horas, datas, distâncias (em construções impessoais): É meia-noite. / É dia 10.
- Verbos meteorológicos sem agente expresso: Choveu a noite toda.
Como identificar o sujeito: passo a passo
1. Encontre o verbo principal da oração.
2. Pergunte ao verbo: quem? ou o que? realiza/sofre a ação ou de quem se declara algo.
3. Procure o núcleo (substantivo ou pronome central) e despreze adjuntos.
4. Atenção ao “se”: diferencie índice de indeterminação do sujeito (verbo impessoal) de partícula apassivadora (voz passiva sintética).
5. Verifique se é caso de oração sem sujeito (haver existencial, fazer tempo, etc.).
Concordância verbal com o sujeito
- Regra geral: O verbo concorda com o núcleo do sujeito.
- Sujeito composto anteposto: As crianças e os professores participaram.
- Sujeito composto posposto: Chegaram os alunos e a coordenadora. (é comum a inversão)
- Núcleos sinônimos ou gradativos: Verbo no singular é possível. Ex.: O amor e a paixão domina(m) a trama. (duas leituras)
- Sujeito ligado por “ou”:
- Excludente: Pedro ou Carla ficará.
- Inclusivo/alternativo: Pedro ou Carla virão.
- “Um e outro”, “nem um nem outro”: frequentemente no singular, mas o plural não é erro em registro informal. Ex.: Nem um nem outro resolveu.
- Porcentagens, coletivos e partitivos:
- A maioria dos alunos compareceu. (concordância com o núcleo “maioria”)
- Porcentagens admitem dupla concordância: 20% dos candidatos faltaram/faltou.
- Títulos de obras, nomes próprios no plural: O Lusíadas é um clássico. Os Estados Unidos reconhecem.
Voz passiva e “se”: atenção
- Partícula apassivadora (passiva sintética): o verbo concorda com o sujeito paciente.
- Vendem-se casas. (casas = sujeito paciente; verbo no plural)
- Índice de indeterminação do sujeito: verbo permanece no singular.
- Precisa-se de funcionários. (verbo transitivo indireto; “de funcionários” é objeto indireto; sujeito indeterminado)
Posição do sujeito na frase
- Ordem direta: sujeito + verbo + complementos.
- Ordem inversa é comum: Chegaram os resultados. (verbo antes do sujeito)
- Em perguntas e textos literários, a ordem varia; a concordância continua com o núcleo do sujeito.
Erros comuns e como evitar
- Usar “haver” existencial no plural: Incorreto “Houveram muitos problemas”; o correto é “Houve muitos problemas”.
- Concordância com termo adjunto ao sujeito: A maioria dos alunos chegaram. O correto, pela norma-padrão, é “A maioria dos alunos compareceu.”
- Confundir partícula apassivadora com índice de indeterminação: “Alugam-se casas” (certo, passiva). “Precisa-se de técnicos” (certo, indeterminado).
- Tratar sujeito oracional como objeto: Em “É preciso que estudem”, “que estudem” é sujeito oracional de “é preciso”.
Exemplos resolvidos
1. Chegaram os convidados.
- Verbo: chegaram; Sujeito: os convidados; Núcleo: convidados; Concordância: plural.
2. Faz três semanas que não chove.
- Verbo impessoal “fazer” indicando tempo; oração sem sujeito; verbo no singular.
3. Vende-se apartamento no centro.
- “Se” apassivador; sujeito paciente: apartamento; verbo no singular (núcleo no singular).
4. Procuram-se especialistas em IA.
- “Se” apassivador; sujeito paciente: especialistas; verbo no plural.
5. Disseram que vai chover.
- 3ª do plural sem referente: sujeito indeterminado de “disseram”.
6. É importante que todos participem.
- Sujeito oracional: “que todos participem”; verbo “é” no singular.
FAQ rápido
- Como descobrir o sujeito? Procure o verbo, pergunte “quem/o que”, identifique o núcleo e verifique se não é caso de verbo impessoal.
- Sujeito sempre vem antes do verbo? Não. A ordem pode inverter-se sem afetar a concordância.
- “Existem muitas pessoas” é errado? Não. Com “existir”, o verbo concorda: Existem muitas pessoas. O impessoal é “Há muitas pessoas”.
Conclusão
Dominar o conceito de sujeito e seus tipos facilita a concordância verbal e melhora a clareza do texto. Com as regras e exemplos acima, você terá segurança para reconhecer o sujeito, diferenciar casos de oração sem sujeito e evitar tropeços comuns na escrita.
Exercícios
1. Classifique o sujeito:
a) Ontem choveu bastante.
b) Vende-se bicicleta usada.
c) Talvez voltemos amanhã.
d) Havia muitos turistas na cidade.
e) Pedro ou Carla apresentarão o projeto.
2. Indique o núcleo do sujeito:
a) A bela casa da esquina foi vendida.
b) Os Estados Unidos lançaram um comunicado.
c) Uma porção de alunos faltou.
3. Assinale a alternativa correta:
a) Houveram muitos imprevistos.
b) Houve muitos imprevistos.
4. Transforme para a voz passiva analítica, quando possível:
a) Vendem-se casas.
b) Precisa-se de voluntários.
Gabarito
1. a) Oração sem sujeito (verbo meteorológico). b) Sujeito paciente “bicicleta” (passiva sintética). c) Sujeito oculto “nós”. d) Oração sem sujeito (“haver” existencial). e) Sujeito composto com “ou” inclusivo; verbo no plural.
2. a) Núcleo: casa. b) Núcleo: Estados Unidos. c) Núcleo: porção.
3. Correta: b) Houve muitos imprevistos.
4. a) Casas são vendidas. (possível; “se” = partícula apassivadora) b) Não há passiva analítica; trata-se de sujeito indeterminado (“se” = índice de indeterminação).
Referência
SACCONI, Luiz Antônio. Novíssima gramática ilustrada Sacconi/Luiz Antônio Sacconi; [ilustrações de Adolar Mendes e Jean Galvão]. 24 ed. São Paulo, 2010.
SAID ALI. M. Gramática elementar da língua portuguesa. 9ª ed. São Paulo, 1966.
PASCHOAL CEGALLA, Domingos. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 49 ed. São Paulo. 2004.
