Interjeição — o que é, exemplos, regras de pontuação e exercícios

           O que é interjeição Interjeição é a classe de palavras usada para exprimir emoções, reações instantâneas, apelos ou atitudes do falante, de modo exclamativo e independente da estrutura sintática da oração. É, em regra, invariável e pode constituir sozinha um enunciado. Ex.: Ai!; Oba!; Socorro!; Puxa!

Funções e valores semânticos das interjeições

Embora não tenham função sintática na oração, as interjeições carregam valores de sentido. Principais grupos:

  • Alegria/entusiasmo: oba!, viva!, uau!
  • Dor/desconforto: ai!, ui!, ô!
  • Surpresa/espanto: nossa!, eita!, puxa!
  • Medo: credo!, vixe!, cruzes!
  • Tristeza/lamento: ah!, ó vida!, poxa!
  • Nojo/repulsa: eca!, argh!
  • Indignação/raiva: ora!, pfff!, francamente!
  • Alívio: ufa!, ainda bem!
  • Admiração/aprovação: bravo!, excelente!, muito bem!
  • Chamamento/saudação: ei!, alô!, olá!
  • Silêncio: psiu!
  • Pedido/ajuda: socorro!, por favor! (neste caso, funciona como apelo)
  • Desejo: tomara!, oxalá!
  • Concordância/discordância: pois é!, imagina! (ironia possível) Observação: em gramáticas escolares, tomara e oxalá costumam ser tratadas como interjeições de desejo; em gramáticas tradicionais, oxalá é tida como conjunção expletiva. No uso, ambas funcionam como enunciados desiderativos.

Lista de interjeições mais comuns no português do Brasil

  • Ai!, ui!, ah!, ô!, ó!, epa!, opa!, oba!, uau!, eca!, argh!, puxa!, poxa!, caramba!, nossa!, credo!, cruzes!, vixe!, eita!, oxe!, uai!, tchê!, bah!, psiu!, alô!, ei!, socorro!, viva!, ufa!, tomara!, oxalá!, graças!, ave!, nossa senhora!, meu Deus! Observação: formas como “nossa!”, “meu Deus!”, “Maria!”, “Jesus!” são substantivos/nomes usados com valor interjetivo.

Locuções interjetivas

São expressões fixas com valor de interjeição. Exemplos:

  • Puxa vida!; Ora bolas!; Pelo amor de Deus!; Graças a Deus!; Meu Deus do céu!; Ave Maria!; Que bom!; Que horror!; Que pena!; Pois sim!; Pois é! São frequentes na fala e em textos literários/dialogados.

Pontuação e uso

  • Isolamento: a interjeição costuma vir isolada por ponto de exclamação, vírgula, travessão ou reticências. Ex.: Ah, que alívio! Ufa! Consegui.
  • Vírgula: se a interjeição antecede uma oração, pode-se usar vírgula. Ex.: Nossa, que susto!
  • Pontos de exclamação: evite excesso!!! Um único ponto de exclamação é o padrão em textos formais.
  • Diálogos: pode vir sozinha em linha ou acompanhando a fala. Ex.: — Socorro!
  • Maiúscula/minúscula: no início de período, inicial maiúscula; no meio, segue a norma usual. Interjeições graficamente imitativas (pfff, grrr) variam conforme estilo.
  • Vocativo x interjeição: vocativo chama o interlocutor; interjeição expressa emoção. Ex.: Ei, Pedro, venha aqui. (Ei = interjeição; Pedro = vocativo)

Interjeição x onomatopeia

  • Interjeição: exprime atitude/emoção do falante. Ex.: Ai!, Oba!, Puxa!
  • Onomatopeia: imita sons da realidade. Ex.: toc-toc (batidas), atchim (espirro), plim (metal/vidro), tic-tac (relógio). Algumas formas podem circular entre as categorias conforme o uso. “Atchim!” pode aparecer como interjeição em quadrinhos, mas seu núcleo é imitativo.

Variação regional e registro

  • Regionais: uai (MG), tchê/bah (Sul), oxe/eita/vixe (Nordeste/Norte), pois então (Sul).
  • Registro: interjeições são comuns na fala e em textos informais, literários e publicitários. Em textos acadêmicos e jurídicos, use com extrema parcimônia.

Erros comuns

  • Abusar de interjeições em textos formais.
  • Usar múltiplos pontos de exclamação.
  • Confundir interjeição com vocativo ou com advérbio.
  • Esquecer o isolamento por vírgula/exclamação quando a interjeição inicia o período.

Dicas para redação (ENEM/concursos)

  • Empregue interjeições apenas em gêneros que comportem subjetividade (crônica, conto, carta aberta, artigo opinativo com tom coloquial).
  • Em dissertações acadêmicas, evite interjeições; prefira construções descritivas e argumentativas.
  • Em provas objetivas, reconheça-as por seu valor exclamativo, autonomia e invariabilidade.

Exercícios sobre interjeição

1. Identificação. Assinale a interjeição nas frases:

a) Ai, que dor nas costas!

b) Puxa vida, esqueci a chave!

c) Silêncio, por favor.

d) Psiu! Falem mais baixo.

2. Valor semântico. Classifique o valor expresso pela interjeição:

a) Ufa, acabou a prova.

b) Eca, que nojo!

c) Viva! Conseguimos o patrocínio.

d) Nossa, que susto!

3. Pontuação. Reescreva inserindo a pontuação adequada:

a) ah que pena

b) eita que trânsito

c) nossa eu não sabia

d) ufa terminamos

4. Interjeição ou onomatopeia? Marque I (interjeição) ou O (onomatopeia):

a) Atchim!

b) Oba!

c) Tic-tac.

d) Puxa!

5. Locução interjetiva. Substitua por uma locução interjetiva de sentido equivalente:

a) Oba! (alegria)

b) Eca! (repulsa)

c) Nossa! (espanto)

d) Ufa! (alívio)

6. Vocativo x interjeição. Identifique o vocativo e a interjeição (se houver):

a) Ei, Marcos, fecha a janela.

b) Senhora, poderia aguardar um instante?

c) Puxa, pessoal, que desempenho excelente!

7. Uso em diálogo. Complete com interjeições adequadas:

___________, que notícia incrível!__________, finalmente deu certo.

8. Regionalismos. Relacione a interjeição à região onde é mais frequente:

(1) Uai (2) Tchê (3) Oxe (4) Bah

a) Nordeste b) Minas Gerais c) Rio Grande do Sul d) Rio Grande do Sul

9. Classificação contextual. Em qual opção a palavra destacada funciona como interjeição?

a) Tomara que chova amanhã.

b) Ele disse “tomara” em voz baixa e saiu.

c) O “tomara” dele foi sincero.

10. Múltipla escolha. Assinale a alternativa correta:

a) Interjeições possuem flexão de gênero e número.

b) Interjeições integram obrigatoriamente a estrutura sintática da oração.

c) Interjeições podem formar enunciados autônomos e expressam emoções do falante.

d) Onomatopeias e interjeições são a mesma classe.

 

Gabarito

1. a) Ai b) Puxa vida c) (não há interjeição; “silêncio” é substantivo usado como pedido) d) Psiu

2. a) Alívio b) Repulsa/nojo c) Alegria/comemoração d) Surpresa/espanto

3. a) Ah, que pena! b) Eita, que trânsito! c) Nossa, eu não sabia. d) Ufa, terminamos!

4. a) O b) I c) O d) I

5. Respostas possíveis: a) Que bom! / Que alegria! / Viva! b) Que nojo! / Argh! c) Puxa vida! / Meu Deus! d) Ainda bem!

6. a) Interjeição: Ei; Vocativo: Marcos b) Interjeição: (não há); Vocativo: Senhora c) Interjeição: Puxa; Vocativo: pessoal

7. Respostas possíveis: — Uau/Nossa/Puxa, que notícia incrível! — Ufa/Oba/Viva, finalmente deu certo.

8. a) (3) Oxe — Nordeste b) (1) Uai — Minas Gerais c) (2) Tchê — Rio Grande do Sul d) (4) Bah — Rio Grande do Sul

9. a) Interjeição (uso desiderativo, enunciado exclamativo implícito) b) Não é interjeição; é substantivo (metalinguístico) c) Não é interjeição; é substantivo (metalinguístico)

10. Opção correta: “C”

 

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é interjeição? É uma classe de palavras invariável que expressa emoções, reações, apelos ou atitudes do falante e pode, sozinha, constituir um enunciado.

Quais são exemplos de interjeições? Ai!, Uau!, Oba!, Eca!, Puxa!, Nossa!, Ufa!, Socorro!, Psiu!, Viva!, Tomara!, Oxalá!

Qual a diferença entre interjeição e onomatopeia? Interjeição expressa atitude do falante; onomatopeia imita sons (tic-tac, toc-toc, atchim). Algumas formas podem ter uso híbrido em contextos específicos.

Como pontuar interjeições? Preferencialmente com ponto de exclamação; quando antecedem uma oração, separam-se por vírgula. Evite múltiplos pontos de exclamação em textos formais.

Posso usar interjeições em redações do ENEM? Use com cautela e apenas quando o gênero exigir marca de oralidade. Em dissertações padrão, é melhor evitar.

Quais interjeições regionais são comuns no Brasil? Uai (MG), tchê/bah (Sul), oxe/eita/vixe (Nordeste/Norte), pois então (Sul).

 

Referência

SACCONI, Luiz Antônio. Novíssima gramática ilustrada Sacconi/Luiz Antônio Sacconi; [ilustrações de Adolar Mendes e Jean Galvão]. 24 ed. São Paulo, 2010.

SAID ALI. M. Gramática elementar da língua portuguesa. 9ª ed. São Paulo, 1966.

PASCHOAL CEGALLA, Domingos. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 49 ed. São Paulo. 2004.

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